
De Mãos Dadas
Desde que nasci tive o apoio das mãos de minha mãe e do meu pai para me ensinar a viver e dar os primeiros passos. A mão do meu irmão quando íamos para escola e as mãos das colegas de escola que passeávamos pelo recreio.
Depois a mão do namorado, do noivo e do marido é, 35 anos de mãos dadas com a mesma pessoa e nesse tempo dividi as mãos com minha filha, meu filho e com minha “rapinha”.
Um dia aquela de 35 anos se soltou e foi para outras mãos e eu pensei – Como vou andar? Vou desequilibrar, vou cair, vou escorregar... Não sei andar sem aquela mão que era companheira, amorosa e que em um toque já sabia o que o outro queria.
Um dia também precisei de um abraço e além de não ter as mãos não tinha mais os braços para me abraçar e eu precisava tanto! Naquele dia não existia mais ninguém no mundo – Que horror, fiquei só e não sei viver só!
Foi quando descobri que aquelas mãozinhas pequenas dos meus filhos eram grandes, fortes, quentes, carinhosas, solidárias e haviam se multiplicado nas mãos e braços de genro e nora.
Mãos de irmão, cunhada e sobrinho segurando o telefone para me ajudar.
Mãos de sogra, tio, tia, primos, amigos, vizinhos, conhecidos e às vezes até de estranhos.
Mãos com aquelas batidinhas nas costas.
Mãos que se molhavam ao secar minhas lágrimas.
Uma mão nova pequena, mas tão pequena que me fez chorar de emoção só eu podia segurar, pois ela não sabia. Agora ela já sabe segurar e bem forte, mas não sabe que remédio bom que ela é.
Tem uma outra mãozinha pequena que me adora porque sou gordinha.
Tem uma mão companheira presente quase todo o dia.
Tenho mãos amigas masculinas, femininas, grandes, pequenas, peludas, macias, novas, velhas, brancas e pretas todas amigas prontas para ajudar.
Muitas pensam que eu é que as ajudo não sabem o quanto foram importantes para mim, mesmo distantes eram mãos amigas prontas para ajudar.
Hoje não tenho medo de desequilibrar, escorregar ou cair. Caminho só com as mãos sacudindo acompanhando os meus passos. Sei que não estou só porque todas as mãos amigas têm consideração pela minha pessoa e isso me orgulha porque certamente já fiz algo de bom por elas também.
As minhas mãos estão aqui prontas para o trabalho, o abraço, o aperto, o abano, a troca de fraldas, o carinho no rosto e esperando novas mãos principalmente as pequeninas para atirar beijos e dar tchau, tchau!
26/09/05 Sandra Mara Figueiró

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